
Ser-se humano
Dois metros de meio de gente, q.b morena.
No caos e na felicidade que a vida é.
Sobre correr riscos
Ser-se humano é correr riscos. Em tudo. Até nas mínimas coisas que não achamos que estamos a correr riscos, estamos sempre. Escolher trabalhar em certo local, amar certa pessoa, escolher namorar com esta pessoa e não com a outra, ir fazer compras ao supermercado à 14h da tarde, ir correr, ir jogar squash, ir viajar, ir ter com os avós, ir à discoteca e até escolher ficar em casa a ver um filme. Parecem coisas banais, eu sei, mas viver é nunca saber o que de mais surpreendente pode acontecer, seja algo bom, seja algo mau. E mesmo assim cá vamos nós. As coisas banais são mais fáceis em termos de escolha. Escolher ficar em casa a ver um filme é uma decisão fácil, parece-nos a nós. Enquanto comprar uma casa, adotar um cão, ter um filho, mudar de emprego, se calhar, não é assim tão fácil. Para aqueles como eu que pensam em todos os riscos, em tudo o que pode acontecer no futuro, em todas as opções possíveis e imaginárias, a tarefa por vezes torna-se árdua. Às vezes é bom, consigo apanhar quem não é de confiança mais facilmente, outras vezes coloca este cérebro a trabalhar uma semana inteira sobre o mesmo assunto. Mas a minha verdadeira questão é como é que se decide algo que pode mudar completamente a nossa vida? Como sabemos que estamos a seguir o caminho certo, sem nos vislumbrarmos pelos olhos fofos e amorosos de um cão que alguém está a dar para adoção, tendo em conta todos os senãos. Não deve haver uma resposta certa, eu sei. Intuição? Se calhar. Ir de encontro com os nossos valores? Certamente que está na resposta. Mas e quando duas das coisas que mais gostamos na vida se encontram e temos de abdicar de uma para ter a outra? Como fazemos? As decisões que tomamos na nossa vida vão nos sempre fazer abdicar de qualquer coisa. Se queremos cuidar mais da nossa saúde, ter um melhor sono e fazer mais exercício físico, vamos ter de abdicar muito provavelmente de saídas à noite até às tantas, encomendar uber eats de fast-food a torto e a direito, vamos ter de nos levantar mais cedo para irmos correr, fazer yoga, fazer pilates ou outro exercício qualquer antes de irmos trabalhar e isso tudo implica mudança de hábitos. Faz parte. E eu já o fiz. Portanto se calhar, a resposta está no que é que eu valorizo neste momento, qual é a coisa que pesa mais na balança, estarei eu a fazer isto por mim? Não há caminhos certos, porque todos os caminhos vão ter os seus entraves. Mas com quais entraves prefiro eu lidar? Esta é a verdadeira questão. Quais são os problemas que prefiro ter?
Sobre ter-se supostas regras na sociedade
Às vezes dou por mim a pensar num universo paralelo em que faço tudo o que eu quero como quero. Todos já imaginamos isto, claro. Um universo onde somos o que queremos, estamos com quem queremos, tudo é genial, tudo corre bem, mas também um universo onde somos mais livres. Não é 100% possível, porque acima de tudo somos seres sociais. E sim vem este bla bla bla do costume, mas que é a pura da verdade. Somos seres sociais, gostamos de pertencer, gostamos de agradar o outro. Mas também sei uma coisa, uns são mais livres que outros quando falamos disto. Quando aprendes como eu a viver com a crítica, este aspecto deteriora-se em ti e queres apenas fazer aquilo que os outros esperam de ti. E eu própria quero ser mais livre neste aspeto e todos os dias caminho para sê-lo. Ser mais eu, estar com quem eu quero, ir com quem eu quero, sair com quem eu quero, a pessoa de quem eu gosto vir comigo ou não a certos eventos e isso ser normalizado. Nós fechamo-nos muito nas nossas cabeças. Se não mostram carinho é porque não gostam realmente um do outro, se não te acompanham a todos os eventos com os teus amigos é estranho, se não fizerem como a família quer não vai dar, mas será que afinal as pessoas são assim tão perfeitas quanto o dizem? Claro que não, então porquê julgar o outro? Porquê as mil questões? Porquê que não aceitamos que cada um está a viver a sua vida da melhor forma que acha, e se isso faz a pessoa feliz, então isso basta. Mas porquê que nos fechamos tanto nestas idiotices, merdices, conices? Não sei. Somos humanos, às vezes somos fixes, às vezes estúpidos. Às vezes não nos entendo. Mas quando tiro estas conclusões, entendo-me cada vez mais a mim.
Deste lado está um ser humano que sente tanto quanto todos nós sentimos, mas que quer trazer tudo ao de cima para não nos sentirmos tão sós, porque a verdade é uma, nunca estamos sozinhos naquilo que sentimos. Escrevo para trazer uma boa dose de realidade ao mundo.
Porque ser-se humano é ser-se caótico, calmo, ter raiva, chorar, rir, observar, conectar-se, desconectar-se, apaixonar-se, viver sem se saber bem para onde se está a ir e mesmo assim ir, é deixar ir e ao mesmo tempo querer controlar tudo, é fazer merda, é errar, é acertar. É sentir tudo e mais alguma coisa.
Sobre mim
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